Presidente alemão cada vez mais pressionado por tentativa de interferência na imprensa

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, está  a ser cada vez mais pressionado para justificar alegadas tentativas de impedir  a publicação nos media de artigos sobre um empréstimo particular e a existência  de uma meia irmã.

Antes do Natal, o político democrata-cristão admitiu publicamente não  ter procedido bem, ao ocultar, em 2008, perante o parlamento da Baixa-Saxónia,  região de que era governador, negócios com um empresário amigo que lhe concedeu  um empréstimo de 500 mil euros para compra de casa, em condições muito favoráveis.

“Nem tudo o que é legal é correcto”, disse o chefe de Estado na curta  intervenção a 23 de dezembro no Palácio Bellevue, em que garantiu também  o seu respeito pela liberdade de imprensa.

Na segunda-feira, vários jornais alemães noticiaram que Wullf tentou  pressionar o tablóide Bild a não publicar a história do empréstimo particular,  ameaçando o jornal mais lido da Alemanha com os tribunais.

A presidência recusou-se a comentar o incidente, alegando que o chefe  de Estado não divulga o conteúdo de conversas telefónicas particulares.

Mas o Bild confirmou que o chefe de redação, Kai Diekmann, recebeu um  telefonema do presidente a tentar dissuadi-lo de publicar as informações  em causa, com a ameaça velada de recurso aos tribunais, e simultaneamente  com a proposta de ambos debaterem o assunto mais tarde.

O telefonema ficou gravado no atendedor automático de Diekmann, que  nesse dia, 12 de dezembro, estava ausente nos Estados Unidos.

Segundo a imprensa alemã, Wulff terá telefonado também a Matthias Doepfner,  presidente executivo da editora Springer e proprietária do Bild, e à acionista  maioritária Frieda Springer, para pedir que o artigo sobre o empréstimo  não fosse publicado, mas ambos se recusaram a interferir no conteúdo do  principal jornal do grupo.

Hoje, o matutino Die Welt acusou Wulff de também ter tentado, no verão  de 2011, evitar a publicação de uma história na edição semanal (Welt am  Sonntag) sobre uma meia irmã, chegando ao ponto de chamar o jornalista em  questão ao palácio presidencial para o admoestar.

Ainda em férias, a chanceler Angela Merkel manifestou repetidamente  o seu apoio a Wulff, apesar das críticas de que o presidente já tinha sido  alvo.

O comportamento do presidente da Alemanha, que tem sobretudo funções  representativas, mas de quem os alemães se habituaram a exigir uma grande  autoridade moral, está a incomodar seriamente as direções de democratas-cristãos  e liberais, as forças da coligação governamental que apoiaram a sua eleição,  em junho de 2010, para substituir o demissionário Horst Koehler.

A oposição social-democrata, ambientalista e neocomunista, que se tinha  limitado, até aqui, a criticar Wulff, sem questionar a manutenção no cargo,  exige agora que o presidente explique o seu comportamento, ou apresente  a demissão.

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