Cavaco Silva: «Sei muito bem o que é que devo fazer como Presidente»

Cavaco Silva considerou hoje que as suas palavras sobre investimentos públicos foram mal interpretadas e afirmou saber muito bem o que deve fazer como Presidente da República pelo interesse nacional, com os seus conhecimentos de economia.

Durante uma visita a Peniche, inserida no seu Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras, Cavaco Silva apontou o seu “grande empenho” enquanto Presidente da República para “evitar que Portugal seja muito atingido em termos de fraqueza de crescimento económico e em termos de emprego com a crise económica” que tem “centro na Grécia”.

Comentando o programa aplicado à Grécia, o Presidente da República declarou: “É de uma dureza que eu não conseguiria imaginar”.

Questionado pelos jornalistas se entende que o candidato a Presidente da República Manuel Alegre estava a criticá-lo quando defendeu que “em momentos de crise a obrigação dos responsáveis políticos é não entrar em pânico”, Cavaco Silva começou por remeter essa questão “para os comentadores e os analistas”.

“Eu sei muito bem o que estou a fazer, até porque se trata de uma matéria que eu ainda não esqueci, domino razoavelmente bem”, acrescentou.

“E sei muito bem o que é que devo fazer como Presidente da República para defender o interesse nacional, com o conhecimento que tenho do funcionamento dos mercados e do funcionamento da economia em geral. Quanto àquilo que diz este ou que diz aquele, qualquer que ele seja, o Presidente não é comentador, existem muitos comentadores”, concluiu.

Antes, a propósito das suas palavras sobre investimentos públicos, Cavaco Silva considerou que a sua declaração “foi mal interpretada de uns lados” e que alguns a comentaram sem a conhecer na totalidade.

“Para isso basta ir à página da Internet da Presidência da República. E se for necessário lembrar, eu tenho boa memória, e eu disse que faz sentido neste tempo reexaminar investimentos públicos e privados na área dos bens não transacionáveis que seja um capital intensivo e que tenha uma grande componente importada”, acrescentou.

Segundo o Presidente da República, esta sua declaração “corresponde àquilo que os manuais de macroeconomia nos ensinam para um país que tem duas dificuldades em simultâneo: uma elevada, muito elevada, dívida externa e um grande desemprego e não tem política monetária e política cambial autónoma”.

A este propósito, Cavaco Silva disse ter registado a opinião do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

O Presidente da República referiu que não comenta “projetos específicos, tal como, aliás, o governador do Banco de Portugal ontem [quinta feira] não comentou projetos específicos, deu apenas a sua opinião em termos de princípio”.

“Eu registei a afirmação que ele fez mas não quero comentar declarações do senhor governador do Banco de Portugal”, completou.

Sobre o programa aplicado à Grécia, Cavaco Silva disse que “é um típico programa que nos livros está desenhado como corte intenso e drástico da despesa”, acrescentando: “Se um programa desta dureza não consegue acalmar os mercados, então interrogo-me o que é que pode acalmar os mercados”.

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